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É possível ter um cotovelo de tenista sem nunca ter jogado ténis?

A epicondilite lateral, vulgarmente chamada de "cotovelo de tenista", é a mais comum disfunção músculo-esquelética do cotovelo, causando dor, incapacidade e perda de produtividade.


Aproximadamente 40% da população é diagnosticada com epicondilite lateral em algum momento da sua vida, tendo maior incidência entre os 35 e os 54 anos de idade, em ambos os géneros. O nome pelo qual é sobejamente conhecido ("cotovelo de tenista") deve-se ao facto de 50% dos jogadores de ténis apresentarem algum tipo de dor no cotovelo, sendo que 75 a 80% dessas queixas são atribuídas à epicondilite lateral. Esta condição é mais comum no braço dominante quando é recrutado a fazer atividades que requeiram movimentos repetidos. Portanto, não será surpresa quando a estatística demonstra que o "cotovelo de tenista" é uma das causas de lesões do membro superior com maior impacto no absentismo de trabalhadores fabris ou cujos trabalhos se baseiem na execução de tarefas repetidas.


Estudos recentes indicam que os sintomas do "cotovelo de tenista" podem persistir durante vários anos, sendo que mais de 50% dos pacientes indicam que a recuperação não ocorreu antes dos 12 meses. Em outros estudos que testavam a eficácia de tratamentos não cirúrgicos no "cotovelo de tenista", cerca de 20% dos participantes indicavam dor contínua e incapacidade entre 3 e 5 anos.


Fatores de risco no "cotovelo de tenista"


Como já referido anteriormente, pessoas cujo trabalho envolva movimentos repetidos do braço e punho têm maior risco em desenvolver "cotovelo de tenista", sendo mais resistentes ao tratamento, com pior prognóstico. Também há referência que o envelhecimento, género feminino, hábitos tabágicos e antecedentes de patologia na coifa dos rotadores (ombro) são significativamente associados ao "cotovelo de tenista". Alguns autores referem que uma das razões a considerar para a dor persistente são alterações da sensibilidade, nomeadamente, hiperalgesia pela diminuição do limiar da dor.


Diagnóstico e avaliação do "cotovelo de tenista"

O "cotovelo de tenista" é diagnosticado com base na história clínica e na avaliação física do paciente, através de exames diferenciados. A dor é localizada na zona externa do cotovelo que pode ser irradiada até ao punho. Normalmente, é agravada com a palpação/toque, extensão do punho isolada ou associada à extensão do segundo e terceiro dedos.



Apesar da causa da dor estar associada a músculos extensores, pode ser despoletada por movimentos não específicos.

É comum que pacientes com "cotovelo de tenista" tenham sintomatologia/dor no pescoço e ombro homolateral, o que contribui para um pior prognóstico na recuperação.


Intervenção da Fisioterapia no "cotovelo de tenista"

A intervenção conservadora ou não cirúrgica é o tratamento mais recomendado em casos de "cotovelo de tenista". O exercício terapêutico com adaptação da carga adequada, bem como outros procedimentos físicos, são fundamentais nos resultados da intervenção, acelerando o processo de recuperação. Algumas diretrizes internacionais referem que a intervenção, para além do exercício e terapia manual, pode incluir eletroterapia (ultrassom, laser, ondas de choque…) e eventualmente, a utilização de ortóteses.

De uma forma resumida, a literatura defende que:

  • o exercício é mais eficaz na redução da dor e no aumento da funcionalidade, em relação à utilização de eletroterapia, não existindo diferenças significativas entre os vários tipos de exercício;

  • a terapia manual aplicada no cotovelo, punho e coluna cervicotorácica pode reduzir a dor imediatamente após o tratamento;

  • não há evidência na eficácia da utilização de ortóteses na redução da dor e na melhoria da funcionalidade;

  • não existem diferenças na utilização de laser em comparação com procedimentos ativos a curto ou longo prazo;

  • a utilização de ultrassom e de ondas de choque é semelhante ao efeito placebo no alívio da dor.

Salienta-se a importância de o plano de intervenção ser adequado às características do paciente, pois o prognóstico da recuperação depende dos fatores de risco apresentados.


Se apenas há referência a dor localizada no cotovelo por um período inferior a três meses, considera-se que haverá um bom prognóstico de recuperação, com uma intervenção prevista de 12 semanas. Caso estejamos perante um paciente que, para além da dor intensa e localizada no cotovelo, refere também dor na cervical e/ou braço e exerça funções laborais que consistem em movimentos repetidos da mão/braço, com perda de funcionalidade/falta de força muscular, a abordagem da intervenção poderá envolver, não só a Fisioterapia, como também a administração de fármacos para alívio de dor.


Resumidamente, o "cotovelo de tenista" é uma condição músculo-esquelética complexa e que, por isso, deve ser acompanhada por Fisioterapeutas que planeiem a intervenção com base, não só no diagnóstico, como também nas características internas e ambientais, sociais e laborais do paciente. Se necessitar de acompanhamento em Fisioterapia, contacte-nos.



 

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