Artrite Reumatóide: fazer movimento ou ficar em repouso?

As duas opções estão corretas! A Artrite Reumatóide é habitualmente reconhecida pela deformação das articulações dos dedos das mãos (como está demonstrado na imagem seguinte) e, à primeira vista, poderíamos considerar que, com estas características, o repouso poderia aliviar os sintomas, mas não é bem assim. Leia o texto e descubra mais!

A Artrite Reumatóide é uma doença crónica, autoimune e reumática, que é caracterizada pela inflamação das articulações, principalmente nos braços e pernas. É uma doença que não tem cura, contudo, se detetada numa fase inicial, a intervenção (Fisioterapia, Farmacologia, Nutrição…) poderá retardar os efeitos da sua progressão. A Sociedade Portuguesa de Reumatologia indica que a Artrite Reumatóide pode afetar entre 0,5% e 1,5% da população mundial, sendo que, em Portugal, prevê-se uma estimativa entre 0,8% e 1,5%. Esta doença é mais comum nas mulheres (cerca de quatro vezes mais) que nos homens, principalmente, no período entre os 35-50 anos.


Causa

Como qualquer outra doença autoimune, existe um mau funcionamento do sistema imunitário que começa a destruir, principalmente, os tecidos que revestem as articulações (cartilagem, osso e ligamentos), causando deformações, instabilidade e formação de cicatrizes dentro da articulação. Contudo, a causa que faz despoletar este mau funcionamento do sistema imunitário não é conhecida. Pressupõe-se que haja uma predisposição genética para a doença e que outros fatores de risco, como o tabagismo, possam influenciar o aparecimento da doença.


Sintomas

A Artrite Reumatóide afeta as articulações dos membros tais como ombros, cotovelos, ancas, joelhos, tornozelos, embora seja mais frequente nos punhos, mãos/pés e dedos. O processo inflamatório característico da Artrite inclui inchaço, dor, vermelhidão e o aumento da temperatura local nas articulações afetadas.

Habitualmente, é ainda acompanhado por rigidez após períodos longos de repouso, como por exemplo, ao acordar. O cansaço e a perda de apetite/perda de peso também são comuns na Artrite Reumatóide, que podem levar à atrofia muscular e à perda de mobilidade.


Existem ainda outras manifestações da doença como:

  • mucosas secas, como boca, olhos e aparelho respiratório, originando tosse seca e irritativa, coincidente com o síndrome de Sjögren;

  • pele seca e descamativa com comichão;

  • úlceras e lesões cutâneas eritematosas (avermelhadas);

  • síndrome do túnel cárpico (dormência/formigueiro na mão) por inchaço na região do punho, que comprime o nervo mediano;

  • quistos sinoviais, como o de Baker (zona posterior do joelho);

  • nódulos reumatóides, que são pequenos “caroços” duros na pele, que surgem habitualmente em zonas que sofrem mais pressão, como na região do cotovelo.

A depressão também é comum em pessoas com Artrite Reumatóide.


Prognóstico

A Artrite Reumatóide tende a progredir mais rapidamente durante os primeiros seis anos e caso não haja acompanhamento, cerca de 80% das pessoas podem desenvolver alterações permanentes em 10 anos.


Esta doença é caracterizada por ter períodos cíclicos de agravamento e de remissão (sob controlo e sem manifestação da doença), podendo afetar quer a vida profissional e social, quer as pequenas atividades da vida diária como comer ou fazer a sua higiene, de uma forma independente.


Os vários tipos de tratamento podem ser eficazes e a adesão da pessoa com Artrite Reumatóide é essencial para melhorar o prognóstico. No entanto, há alguns fatores que podem contribuir para um pior prognóstico como:

  • género feminino;

  • ser caucasiano;

  • diagnóstico tardio;

  • ter nódulos reumatóides;

  • ter mais de 20 articulações afetadas;

  • hábitos tabágicos;

  • obesidade.


Tratamento

Quanto mais precoce for o tratamento da Artrite Reumatóide, maior o efeito em retardar a progressão da doença.


Para além da componente farmacológica e da importância de uma dieta equilibrada, a realização de Fisioterapia deve ser considerada, pois tem repercussões diretas nos sintomas, nomeadamente:

  • na diminuição da dor e rigidez;

  • no aumento da força muscular e das amplitudes de movimento;

  • na prevenção do agravamento das alterações articulares/deformidades;

  • na manutenção da independência nas atividades de vida diária;

  • na tolerância ao esforço, tendo em conta períodos de repouso de modo a evitar a fadiga extrema.

Portanto, a Fisioterapia, ao proporcionar períodos de movimento/exercício, intercalado com períodos de repouso, pode ser um método eficaz no alívio dos sintomas e no retardar da progressão da doença, proporcionando uma maior qualidade de vida.

Se sofre de Artrite Reumatóide e necessita de acompanhamento em Fisioterapia, contacte-nos.


 

Fontes:



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